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M.Shadows explica como manteve “The Stage” em segredo, evolução do álbum e como será 2017

Matéria original da Forbes:

O álbum surpresa é ainda um fenômeno relativamente novo, e é um que não parece estar desaparecendo ou perdendo espaço tão cedo. Nos últimos anos, a estratégia de lançamento pareceu pertencer somente aos artistas de hip-hop e R&B, com muitos gêneros permanecendo completamente longe da ideia. Isso é parte da razão pelo qual o Avenged Sevenfold, um dos maiores nomes do hard rock, decidiu soltar seu mais recente album “The Stage” com pouco aviso, surpreendendo milhões de fãs ao redor do mundo na última sexta-feira de Outubro (28).

O que fez este lançamento surpresa ainda mais chocante e impressionante foi o fato de que, ao contrário de muitos que vieram antes, “The Stage” não se limitou a uma disponibilidade apenas digital. O CD poderia ser comprado no mesmo dia em que a música estava no iTunes e em plataformas de streaming, o que provou ser complicado para a banda e sua nova gravadora (Capitol).

“The Stage” estreou em 4º lugar nas paradas norte-americanas, tornando-se o quinto Top 10 da banda. Embora não tenha chegado ao primeiro lugar, o que parecia ter sido uma possibilidade por um curto período de tempo na semana passada, depois de falar com M. Shadows, o vocalista da banda, parece que nunca foi o ponto deste inovador lançamento.

Hugh McIntyre: O que fez você querer ir pelo caminho do álbum surpresa, para começar?
M. Shadows: Foi logo quando o Radiohead lançou seu álbum do nada, o que eles já fizeram algumas vezes até agora. Também Beyoncé e Kanye. Senti que havia muita emoção acontecendo. Eu sou fã de todos os três artistas, mas há outras pessoas que não são necessariamente fãs que deveriam ser notados, e que estavam vendo o vídeo de Burn The Witch quando o Radiohead lançou. Eles esperaram e adquiriram o álbum.

Eu senti como se fosse apenas uma maneira muito nova de fazer as coisas, em termos de disponibilizar musica. O mundo é muito mais rápido hoje em dia, por causa da internet. As pessoas querem as coisas para agora. As pessoas no mundo do rock parecem não querer dar isso a eles, elas querem continuar fazendo as coisas da maneira antiga, e uma coisa que sempre me incomodou é quando temos um single três meses antes, e então temos que continuar te jogando migalhas. Quando o disco sai, muita emoção se foi, porque você já ouviu metade do álbum. Todas essas coisas juntas realmente nos fizeram definir em liberá-lo como uma surpresa.

McIntyre: Foi lançado em forma física no momento em que estava disponível em todos os lugares, certo?
M. Shadows: Sim.

McIntyre: Como você conseguiu manter o álbum em segredo?
M. Shadows: Essa foi a parte difícil. Passou pelas nossas cabeças vários jeitos de disfarçar. Sabíamos os dias em que certas contas corporativas iriam vazar (o álbum) na internet e, apesar de termos sido capazes de derrubá-las, sabíamos que haveria algum vazamento em certas datas. Uma coisa que fizemos é que tivemos Chris Jericho colocando um post sobre uma data de lançamento falsa, e então ele apagou, e todos nós sabíamos muito bem que ele iria ser visto como o cara que estragou tudo, como ele soltou a data de lançamento, então todos tiveram a impressão de que fosse verdade.

Isso nos deu tempo para derrubar todas as informações reais sobre a data de lançamento, mas também colocamos informações falsas. Como rotulagem no CD, e nós tínhamos falsos funcionários da Best Buy postando coisas no Reddit, que dizia: “O lançamento veio hoje, e não pode ser aberto até dezembro. Aqui está uma foto da caixa”. Tivemos todas estas cortinas de fumaça até que tiraram a atenção das pessoas da realidade que o CD estava desmarcado em seu caminhão, ou na parte traseira de sua loja. Foi muito louco que nada vazou antes, mas havia um monte de coisas acontecendo para ocultar o fato de que ele estava lá.

McIntyre: Isso é loucura. Eu nem consigo imaginar isso. Quanto tempo vocês levaram para sentar e pensar em todas essas coisas?
M. Shadows: Foi um tipo de evolução constante. Nós tivemos a ideia em agosto, quando o álbum estava pronto. O disco estava totalmente finalizado antes de assinarmos com a Capitol. Nós o autofinanciamos. Nós dissemos “Vamos lançar essa coisa nós mesmos ou se encontrarmos os parceiros ideais, nós o lançamos em uma nova gravadora”, então descobrimos que a Capitol era o selo mais ambicioso, com os trabalhadores mais árduos, e tinham todo esse grande sucesso com outras coisas, ou pelo menos as pessoas que trabalharam lá com o Daft Punk e todos esses artistas que realmente respeitamos.

Quando levamos a ideia para eles, tenho que dizer, eles não aceitaram tão bem. Eles tinham acabado de assinar com uma nova banda e falamos para eles que nós queríamos lançar um álbum sem nenhuma divulgação. Todas as análises quanto a uma banda de rock fazendo isso não são boas, no que se diz apenas em termos de como as pessoas gostam de seus lançamentos físicos. Chegamos a um acordo, nós dissemos: “Se vocês querem o disco nas lojas, estamos bem com ele vazando antes. Só queremos fazer isso, será mais divertido. Nossa banda precisa quebrar os moldes, e não apenas ir atrás do nº 1 e tentar vender o máximo de cópias possíveis. Queremos uma abordagem a longo prazo.”. Isso é mais propício, sentimos que é mais emocionante e espero que possamos mudar a forma como as bandas de rock e metal lançam seus discos.

McIntyre: Isso saiu logo depois que vocês tocaram no topo do edifício da Capitol. Foi toda uma experiência em Realidade Virtual. O que fez vocês quererem tocar lá, e mergulhar no mundo da RV?
M. Shadows: A Universal tem um grande departamento de RV que estão trabalhando agora. Eles têm algumas coisas em casa, de modo que a ideia acabou se espalhando. Tocar na Capitol também foi uma ideia que acabou se espalhando. Além disso, estamos fazendo um monte de mapeamento de imagem para a nossa nova turnê. Nenhuma dessas ideias parecia ótima para nós por si só, mas quando combinados os três, tornou-se muito emocionante.

Tocar no topo da Capitol Records não é uma coisa que dá para fazer do nada. É definitivamente uma honra, e muito legal, mas precisávamos de um pouco mais de energia no que achávamos que isso realmente seria especial, então trouxemos o mapeamento de imagens e trouxemos o RV. E fizemos todo esse tipo de tripé de ideias que realmente jogou isso a um nível superior, e obviamente, a cereja do bolo foi o lançamento do álbum. Para nós, foram ideias diferentes de todas, e a Capitol tem muito a ver com isso. Isso foi a questão de tentar coisas novas. Este é o selvagem, oeste selvagem, a indústria da música neste momento. Estamos apenas tentando coisas novas para atrair os fãs.

McIntyre: Qual foi o momento ou parte mais emocionante deste lançamento surpresa?
M. Shadows: Para mim, tem sido as reações. As pessoas têm sido surpreendidas. Fico feliz que o álbum foi capaz de ser secreto por tanto tempo. Além disso, os comentários têm sido ótimos. Eu não estava preocupado com a música, porque não iríamos lançá-lo se nós não o amássemos, mas eu sei que é muito para desempacotar. Uma gravação de 74 minutos que é conceitual e sobre inteligência artificial em um dia e idade em que as pessoas querem músicas pop de 3:00min porque eles estão fazendo outras coisas em sua vida. Para mim, só a ideia de que nossos fãs estão entendendo e que ele tem recebido ótimas críticas e comentários positivos, apenas me dá fé em fazer as coisas artisticamente por razões artísticas. Não necessariamente tentando colocar as coisas em uma pequena caixa, e forçar todos a nutrir o que eles pensam que eles querem.

McIntyre: O álbum foi lançado, e teve uma grande primeira semana. O que faz o resto do ano, e como será 2017 para a banda?
M. Shadows: Nós também estamos olhando como nosso álbum pode evoluir. Temos cerca de sete covers diferentes que fizemos. Nós temos várias coisas originais e também talvez uma peça orquestral de uma das músicas mais pesadas no álbum. Nós vamos continuar a alimentar este material novo durante o ano, uma espécie do que Kanye vem fazendo com The Life of Pablo, mas queremos ter um monte de coisas para levar às pessoas ao longo dos próximos 18 meses.

Para nós, isso é muito importante, só de olhar para toda essa gravação como uma vida completamente diferente, a experiência de respirar. Então, temos turnês montadas, toneladas de produções que, obviamente, trazem ao que estávamos fazendo no topo do Capitol, mas em um ambiente contido, em arenas. Então, também vamos fazer lojas móveis, e um monte de coisas que os artistas pop, R&B e hip-hop fazem. Diferentes coisas que você não esperaria de bandas de rock e metal. Ir até as lojas, fazer sessões de autógrafos, vender merch diferente e exclusiva, etc. Um monte de novas ideias legais que vamos tentar incorporar nos próximos 18 meses.

McIntyre: Depois de vender todos esses álbuns na primeira semana, vocês vão prosseguir com o que soa como uma primeira estratégia de streaming?
M. Shadows: Sim. As pessoas vão dizer, “Por que não temos tudo isso em nosso disco?” O que nós dissemos foi: “Nós estamos dando às pessoas 74 minutos, por nove dólares, ou seja lá o que for, se você comprá-lo físico”. Para muitas dessas pessoas, a realidade é que eles também têm serviços de streaming. Eles estão usando Spotify ou Apple Music. Para nós, em vez de tornar isso muito complicado, todos nós sabemos que através disso você pode ir para o YouTube e encontrar qualquer música que você deseja.

Você pode ir na Apple Music ou Spotify, por isso não estamos sentando e fingindo que ninguém tem acesso às músicas. O que vamos fazer é trabalhar com os serviços de streaming, vamos fazer com que esse álbum evolua, e se você quiser a arte no vinil, esses não vão evoluir, mas a gravação real e as fontes de streaming, que eu sei que a maioria das pessoas tem. Então, é aí que o álbum vai evoluir, porque isso é apenas o futuro agora.

Tradução: Jaine Rodrigues
Revisão: Wesley Carlos

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